Como é trabalhar na BairesDev – Recrutamento, entrevistas e contratação

Sou programadora e trabalho na BairesDev desde 2017. Vou contar como foi minha entrevista, como é a rotina e como a empresa trata os funcionários.

Muita gente me pergunta como é trabalhar na BairesDev. As duas vão desde se eles pagam bem até se eles te tratam bem. Resolvi fazer este post para compartilhar minha experiência com a empresa até aqui, já que estou trabalhando com eles desde 2017, então tenho muito a falar.

Recrutamento

Eu nunca tinha ouvido falar da BairesDev. Alguém de lá me enviou um e-mail oferecendo uma vaga e eu tinha que fazer uns testes de programação para poder concorrer a ela. Eu não tinha interesse e nunca acessei o link. Meses mais tarde, creio que em Agosto, eu estava sem ter o que fazer quando recebi o mesmo e-mail novamente. Resolvi fazer os testes como diversão. Não completei tudo porque era muito extenso, mas poucos dias depois, uma recrutadora me ligou.

A recrutadora já me ligou falando em inglês, então achei que era algum engano mas fui levando a conversa. Ela se apresentou dizendo ser da BairesDev e queria que eu fizesse uma entrevista. Eu não tinha interesse e nem achava que a empresa fosse real na verdade, mas uma coisa bem única aconteceu. Naquele dia eu estava muito triste e ela falou um monte de coisas lindas para mim, fez um monte de elogios, então resolvi fazer a entrevista só para ajudar ela.

Eles me fizeram uma proposta comercial – perguntaram quanto eu ganhava atualmente e por quanto eu aceitaria trabalhar para eles. A proposta deles me foi enviada em dólares e eu aceitei. Por motivos óbvios não vou informar o valor aqui, mas tenho duas coisas a dizer sobre. A primeira é que eu estava ganhando o mesmo que em qualquer vaga presencial para alguém do meu nível na grande SP, e a segunda é que em poucos meses eu tive um “aumento” de 20% no meu pagamento, visto que o preço do dólar subiu bastante aqui no Brasil, o que acabou me deixando em uma posição muito melhor do que as pessoas que estão no mercado brasileiro hoje.

Fiz uma versão em inglês do meu currículo seguindo as orientações da recrutadora. Este currículo foi enviado para o cliente – uma empresa americana localizada em Chicago.

As entrevistas

Demorou um pouco para esta entrevista ser marcada. A vaga era para Desenvolvedor Magento Sênior, mas a empresa que estava contratando havia pausado o processo por estarem muito ocupados. Minha entrevista aconteceu em 2 partes, sendo a primeira com um técnico argentino da BairesDev, e a segunda com o cliente americano.

Na primeira entrevista, o técnico da BairesDev me perguntou sobre a minha trajetória como programadora e depois fez algumas perguntas que estão na prova de certificação do Magento e são facilmente encontradas na internet. Ao final, perguntei a ele no que podia melhorar e ele me disse para melhorar meu inglês. Eu tive um pouco de dificuldade de entender o quê ele estava dizendo devido ao sotaque argentino dele (eu nunca havia falado inglês com nenhum latino). Depois disso, meu currículo foi enviado para o cliente, que marcou a entrevista para 2 semanas depois. A BairesDev finalmente me relevou o nome do cliente e me mandou o site deles. Não era uma empresinha qualquer, eles lidavam com marcas que eram conhecidas até mesmo aqui no Brasil – inclusive uma que você provavelmente vê a logo dela todos os dias.

Chegamos na semana da entrevista mas algo me desanimou um pouco – fiquei sabendo que eles já tinham entrevistado várias pessoas e que eu estaria sendo a última – o quê pra mim significava que nenhum dos tantos outros haviam agradado. As entrevistas estavam durando em torno de 1 hora, e eu não estava muito confiante em passar tanto tempo falando inglês com alguém. Estes dois fatores quebraram um pouco a minha auto-confiança, mas mesmo assim fui com a cara e a coragem.

Dia da entrevista. O cliente me fez perguntas bem similares ao do técnico da BairesDev, mas ele se interessou muito mais na minha experiência prática e perguntou sobre coisas que fiz com Magento, problemas que resolvi e ferramentas que eu usava no dia-a-dia, então contei histórias de coisas que aconteceram comigo durante meus projetos. Em 15 minutos o entrevistador já quis cortar a entrevista e ao final fiz algumas perguntas para ele (se ele achava que valia a pena obter a certificação e alguns detalhes sobre como a empresa trabalha).

A entrevista terminou e me senti um lixo. Todos os outros candidatos haviam conseguido manter a entrevista por ao menos 40 minutos, mas eu fui tão mal que com 15 minutos o cliente me dispensou. Passei os dias seguintes me martirizando muito, dizendo para mim mesma que eu deveria ter feito isso ou aquilo diferente, até que 2 dias depois recebo uma chamada no meu celular, com o DDI da Argentina. Era ela, a recrutadora boazinha, com certeza iria me agradecer por ter tentado e desejar boa sorte para a próxima. Não era nenhum absurdo, afinal, eu já havia lido histórias na internet de pessoas que tentaram várias vezes até conseguirem (ou desistirem de) entrar na BairesDev, além do quê eles têm a fama de só contratar 1% dos entrevistados, então apesar de desapontada comigo mesma, eu já estava resignada. Após me cumprimentar com um “boa tarde”, estas foram as palavras da recrutadora para mim:

O cliente acabou de me enviar um e-mail dizendo “vamos seguir em frente com a Andresa”

Naquele momento pensei: “oi? De qual Andresa você está falando e porquê ligou para mim para falar dela?”. Para mim, era simplesmente inconcebível que alguém que não conseguiu manter o interesse do entrevistador por meros 15 minutos tenha passado na entrevista, mas era de mim mesma que ela estava falando. E ela prosseguiu, perguntando quando eu poderia começar e insistindo para que fosse em 3 dias, pois eles precisavam urgentemente de mim.

A contratação

Apesar da grande surpresa, eu não demorei a aceitar. A recrutadora me parabenizou muito, e disse que, apesar da minha surpresa, ela sempre soube que eu seria a escolhida. Em seguida, ela me enviou 2 contratos para ler e assinar – um com a BairesDev e outro com o cliente. Também criaram uma conta de e-mail @bairesdev.com para mim e pediram para que eu atualizasse meu perfil no LinkedIn.

Sobre o contrato com a BairesDev há dois pontos que eu gostaria de ressaltar: existe uma cláusula nele que impede o cliente de me contratar diretamente. Caso eu deixe a BairesDev, o cliente americano fica proibido de me contratar pelos próximos 2 anos, sob pena de ter que pagar uma multa de algumas dezenas de milhares de dólares. Portanto, se você está pensando em usar a BairesDev como um trampolim para obter um visto, esqueça. O segundo ponto é que o meu contrato inicial era de 6 meses, mas ele se auto-renovaria por tempo indeterminado enquanto todas as partes estiverem de acordo. A cada 6 meses trabalhados, eu ganho 1 semana de férias remuneradas.

Meu horário de trabalho é de 8 horas por dia, e eu devo seguir o meu próprio fuso-horário. Chicago está 3 horas atrás de São Paulo, então eles ainda estão trabalhando quando eu saio. Não sou obrigada, mas sempre procuro me fazer disponível a eles mesmo após o final do meu expediente.

Já no contrato com a empresa americana, eles estavam claramente mais preocupados com privacidade. Eles iriam me dar acesso a um monte de código, VPN e documentação, portanto eles precisavam se proteger. Até o HD do meu MacBook deveria ser criptografado, e eu deveria informar a eles caso algo fosse roubado ou perdido.

Conhecendo o cliente americano

O primeiro dia de trabalho chegou. Recebi uma conta de email do Outlook com o domínio do cliente e acesso ao Slack. No meu calendário do Outlook tinha um compromisso: daily standup, uma reunião que eu deveria atender todos os dias. A primeira estava marcada para dentro de alguns minutos, mas só tinha um problema: como eu atenderia a essa reunião?

No evento do calendário tinha um número de telefone e um ramal, então aparentemente eu teria que telefonar no horário marcado. Rapidamente coloquei créditos no Skype e acessei esse número de telefone, que me levou a uma sala de conferência virtual. Lá estavam o líder técnico que me entrevistou, e o gerente do projeto.

Não houveram apresentações. O gerente apenas me fez algumas perguntas sobre as ferramentas com as quais eu trabalhava e pediu ao líder técnico para emitir uma licença do PHPStorm para mim. Em seguida me foi passado um repositório no BitBucket onde haviam instruções de como montar o ambiente de desenvolvimento – o que foi muito trabalhoso, diga-se de passagem. Nos dias seguintes continuamos tendo estas reuniões e nelas eu deveria reportar tudo o que eu havia feito e o que eu estava planejando fazer no dia.

Até hoje não sei se eles eram desorganizados, se não se importavam ou se estavam me testando, mas o fato é que tive que me “virar nos 30” por diversas vezes.

Trabalhando com o cliente

Com o ambiente pronto, logo vieram os primeiros tickets, todos organizados no Jira. Eram tickets simples como mudança de estilos e correção de coisas mal alinhadas/posicionadas. A empresa era uma gigante com quase 2 milhões de produtos no catálogo, e o sistema era integrado com a API de um ERP de qualidade bem duvidosa.

No começo eu me senti um pouco inútil, já que eu estava acostumada a trabalhar com coisas muito complexas e eu achava que eles estavam jogando dinheiro fora comigo. Porém, poucos meses depois eu tinha uma grade surpresa. Lembram daquele cliente que citei acima, a empresa cuja logo você provavelmente vê todos os dias? Fui designada para este projeto, o que elevou muito meu ânimo e dedicação no trabalho. Mais uma vez recebi um repositório com algumas instruções para criar o ambiente. Fiquei muito feliz em trabalhar neste projeto, e em pouco tempo me vi muito ocupada, trabalhando em 3 projetos ao mesmo tempo.

Os americanos são muito gentis, amáveis, pacientes, éticos e corretos. Pretendo fazer outro post no futuro apenas para falar sobre o convívio com eles.

Contato e assistência da BairesDev

A BairesDev continua ali presente, apesar de o meu contato ser diretamente com o cliente americano. Tenho acesso ao Slack da BairesDev também, onde posso me comunicar com o RH, meu gerente e outros programadores. A cada 6 semanas tenho uma reunião com o meu gerente, onde ele me pergunta se estou satisfeita com minha condição atual entre outras coisas. Aliás, estas reuniões são um dos pontos altos do meu mês. Dei muita sorte com o meu gerente, além de ser muito prestativo ele é super legal.

O papel da empresa é o de uma espécie de mediador entre o cliente e o programador. Ela também negocia folgas, feriados e férias.

O pagamento

A BairesDev envia o pagamento em dólares via transferência internacional. Você faz o câmbio no seu banco ou no serviço que escolher (eles aceitam até Payoneer atualmente). O pagamento é feito nos primeiros 5 dias úteis do mês e a eles nunca atrasam os pagamentos.

Conclusão

Definitivamente está sendo uma experiência que mudou minha vida para sempre. Meu inglês agora é muito fluente, eu aprendi muitas coisas, trabalhei em projetos incríveis que deram um grande up no meu currículo e conheci muitos profissionais altamente qualificados. Com certeza o melhor emprego que tive até então.